Sistema nervoso.
19/08/2008 - 08:35 |
Coluna do Polêmico
Renato Abreu
renatopolemico@hotmail.com |
Ao iniciar o preparo para uma competição o atleta tem em mente que precisa superar diversos obstáculos, até mesmo o inesperado. Fabiana Murer deu mostras de que nem ela, nem seu técnico pensaram nas adversidades. Se a “organização” dos Jogos Olímpicos ficou de olhos fechados para a reclamação da atleta brasileira, tivesse ela deixado de competir por faltar o principal instrumento de sua modalidade. Errou Fabiana, errou mais ainda seu técnico ou qualquer integrante do Comitê Olímpico Brasileiro que estivesse ao seu lado.
Imaginar que um triatleta tenha que pedir uma bicicleta emprestada para percorrer a etapa de ciclismo chega a ser ridículo. Mas, guardadas as devidas proporções foi o que ocorreu com a brasileira quando reparou que o tubo com as varas havia sumido, deixando apenas a usada na etapa anterior, com envergadura menor que a necessária, sumiu, deixando Fabiana apenas com a vara que saltara com sucesso na altura anterior.
E é nessa hora que todo atleta precisa avaliar o que está acontecendo e tomar a decisão correta. Já escrevi aqui nesse espaço ser um crítico dessa olimpíada na China. Não sou especialista em atletismo, mas, acompanhando o automobilismo durante 15 anos é possível perceber a diferença que faz entre um piloto com equilíbrio emocional e outro sem.
Esse dito equilíbrio emocional é o que diferencia os atletas de mais alto nível. Não quero aqui desgraçar a carreira da atleta Fabiana, no entanto, a hora exigia uma postura mais equilibrada, a organização dos jogos errou. Faltou profissionalismo de quem pensa em fazer uma competição organizada. Se essa falha ocorre no continente Sulamericano o mundo teria protestado. Mas como foi no maior mercado consumidor do planeta, logo, logo vão querer esquecer o episódio.
Solidária. E a campeã do salto com vara a atleta russa, Yelena Isinbaeva, após vencer a prova de salto com vara em Pequim, marcando um novo recorde mundial de 5,05m, disse que não sabia que a atleta brasileira estava enfrentando algum problema. Isinbayeva mostrou-se solidárias a Fabiana e teria oferecido seu equipamento para a nossa representante.
Concentrada “Não sabia que uma atleta passava por esse problema, estava concentrada em meus saltos. Em nenhum momento percebi que havia algo de errado com Fabiana”. A afirmação de Yelena só reforça a idéia de que a concentração na hora de competir é fundamental estar alheia ao que acontece ao lado faz parte da estratégia de quem precisa se concentrar em si mesmo.
Ana Ana Moser deixou as quadras de vôlei, mas não abandonou o esporte. A ex-atleta assina um blog onde comenta sobre os Jogos Olímpicos de Pequim. Na edição de domingo Ana tocou num ponto crítico de muitos atletas, o estrelismo. Citando o desempenho do nadador César Cielo em contraponto com Diego Hypólito
Medo Segundo Ana, “a psicologia esportiva aponta que o caminho mais rápido para acabar com a angustia da disputa é a derrota: é muito mais eficiente relaxar e perder, do que se superar para vencer. Medo de não corresponder, tanta gente para pedir desculpas se perder, muita coisa para as cabeças dos nossos atletas. E muito mais para os atletas que caem na graça da imprensa e dos grandes conglomerados de comunicação, que passam a acompanhar cada passo, cada competição preparatória, cada promessa”.
Diferença “E aí temos uma boa diferença entre Diego e Cielo: enquanto o ginásta estava quase toda semana na mídia, o nadador estava quase escondido no interior dos EUA. Não que o Diego tenha se perdido nesse assédio, não estou culpando o atleta de deslumbramento. Só estou tentando entender porque as coisas são assim”, completou Ana Moser.
Pompa Concordo com Ana Moser. O excesso de pompa, o exagero de exposição transforma atletas em verdadeiros astros do mundo pop. Estão em todas as festas, todos os comerciais e todos os programas de televisão onde saem com o ego mais inflado que bexiga em dia de festa infantil.
Menos Se um atleta tem potencial é preciso investir nesse potencial sem esquecer de prepará-lo para os perigos da exposição exagerada. Um pouco menos de flash e um pouco mais de reclusão. Expor todos seus passos e transformar um jovem em super-homem chega a ser perverso. No Brasil os atletas competem com medalhas nos ombros, e quem as colocou antes da competição nunca aparece para se desculpar pelo fracasso.
A Coluna foi redigida pelo jornalista Robério Lessa Equipe: Show de Futebol
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