Craque do Passado


ATLETA, ÁRBITRO, DELEGADO, OBSERVADOR....

Vilanova, o faz tudo no futebol


“Nascer em ano bissexto e ser campeão pelo América, isso é uma dádiva de Deus!” Assim se expressou Luiz Vieira Vilanova, o lateral-esquerdo que jogou no time campeão de 1966 do “Diabo Rubro”. Depois foi defender a equipe do Santa Cruz, de Recife, onde foi campeão pernambucano nos anos de 69 e 70. Um homem que fez de tudo no futebol. Ele iniciou sua vida no futebol como gandula, depois foi ser marcador de placar, no tempo em que não existia o eletrônico. Com mais tempo de convívio foi convidado pela administração do Estádio Presidente Vargas para ser bilheteiro e porteiro. Quando parou foi árbitro, e, agora continua servindo ao futebol como representante da FCF, observador da Comissão Nacional de Arbitragem.

Vilanova como é conhecido nos meios esportivos, começou sua carreira como jogador de futebol no Nacional Atlético Clube, em 1958, jogando de lateral-esquerdo. Dois anos depois foi defender o Usina Ceará Futebol Clube e de lá saiu em 1965, para o América. No ano seguinte, conquistou o título de campeão cearense e ficou famoso ao formar na defesa que ficou famosa e na época era denominada por todos como “Carcará”, com Pedrinho (goleiro), Ribeiro (lateral-direito), Cícero (zagueiro central) e Ninoso (quarto zagueiro).

No futebol, ele reconhece que não ganhou muito dinheiro, mas fez amigos em demasia e teve muitas passagens interessantes, como atleta e árbitro. Vila conta que na decisão da Taça Cidade de Fortaleza, em 1967, América contra o Tiradentes, ele ao lado de Loril, prenderam o árbitro Iran do Vale, no túnel fechando a porta de ferro para que ele não retornasse para dar continuidade à partida. “A bola caiu na escadaria e nós chutamos e mandamos que ele fosse pegá-la. Quando desceu fechamos e ele ficou gritando por ajuda”.

Em janeiro de 1969 foi negociado para o Santa Cruz de Recife, onde conquistou o bicampeonato estadual num time que contava no seu elenco com atletas famosos como, Gena, Givanildo, Ramón, Cuíca, Luciano Veloso, e Fernando Santana. “Foi uma glória, pois naquela época dificilmente um zagueiro era negociado. Porém, as boas atuações do América e Taça Brasil nos credenciaram para defender este grande clube do futebol brasileiro onde atuei ao lado de grandes nomes. Neste período consegui dar a minha família tudo de bom”.

No Tricolor do Arruda, Vilanova viveu momentos de glórias. Foi lá que ele recebeu o maior prêmio de sua carreira. Na terça-feira, após a conquista do estadual, o presidente do clube, James Thorp presenteou a cada atleta com um carro marca Volkswagen. “Ele chegou no vestiário e disse a todos que o prêmio estava no pátio. Quando saímos tinha lá 17 carros. Um para cada atleta. Eu nunca tinha visto aquilo. Todos ficaram emocionados e não sabiam o que dizer ou como agradecer. Mas fizemos por onde merecer, pois a luta foi árdua”, fala emocionado Luiz Vilanova.

Depois de três anos, Vilanova retornou ao futebol cearense para defender o Ferroviário onde encerrou sua carreira.

Convidado pelo então diretor de árbitros da FCF, Gilvan Dias, Vilanova passou a ser exercer outra função no futebol, a de árbitro. Ele foi incentivado pelo saudoso ex-árbitro e amigo, o conhecido professor Alzir Brilhante. “Foi difícil no começo, mas depois com ajuda dos amigos e principalmente do então diretor de árbitros da FCF, Gilvan Dias que além de dá a maior força e nos orientou para que minha carreira tivesse sucesso”, comenta Vila mostrando saudades pelos dois amigos que já partiram desta vida.

Sempre que tinha jogo difícil o Vilanova estava escalado, seja na Capital ou Interior. Em determinada vez, ele narrava o fato olhando para o alto, contou que foi escalado para arbitrar um amistoso da Seleção Brasileira contra os Estados Unidos, no Castelão. Como não sabia falar inglês foi indagado pelo assistente, Nunes Sales como faria tirar o “toss”. Ele retrucou: “será fácil”. Para tanto, chamou Raí e o capitão americano, jogou a moeda para cima e o visitante ganhou. Como afirmou, fez o que combinara com o brasileiro, usaram a língua universal, os gestos. “Assim eu perguntei ao gringo se ele queria bola ou campo. Ele escolheu a bola e mandei as equipes ficar onde estavam e fomos para o jogo. O Raí deu um sorriso, assim como os meus assistentes”, concluiu.
Luiz Vieira Vilanova ficou viúvo, mas encontrou outra companheira que lhe deu uma filha com quem brinca nas folgas. Ainda hoje ele trabalha ligado ao futebol. Não está mais jogando, nem tampouco como árbitro, mas é delegado (representante da FCF nos jogos) e ainda é um dos Observadores da Comissão Nacional de Arbitragem, analisando às atuações dos árbitros e assistentes escalados para trabalhar nos jogos pelo Campeonato Brasileiro ou outra competição promovida pela CBF em nosso Estado.

“Isso é uma cachaça. Além do mais, revejo os amigos que fiz por este Estado, além de matar a saudade que ainda é grande dentro que estava dentro de campo”, finalizou Luiz Vieira Vilanova que continua sendo o mesmo homem bonachão, mas com muito mais responsabilidade e como disse uma vez o ex-árbitro Marcos Brasil, um “homem de vanguarda”, pois sempre está preparado para trabalhar, seja qual for à hora ou local. Não importa a categoria, mas gosta de servir ao futebol.


Por Jáder de Moraes
Foto: Hildemar Oliveira
Equipe Show de Futebol